domingo, 24 de maio de 2020
domingo, 17 de maio de 2020
Porque tive fome e destes-me de comer
Como minha mãe trabalhava fora o dia todo, sempre que
possível, ela nos deixava passar a tarde na casa da vovó. Minha vó era uma
viúva de poucas posses, cristã e que tinha o dom da multiplicação. Sim, ela era
incrível! Se chegasse alguma visita inesperada para almoçar, rapidamente, com a
ajuda de um martelo de carne e uma faca, dois bifes viravam seis bem depressa. Com
o envelope de sopa Knorr, era a mesma coisa: acrescentava água, um pouco de
leite, uma colher de Maizena e… Voilà! Sopa para abastecer um batalhão! Transformar
o pouco em muito, era com ela mesma. Cresci vendo esses milagres e aprendi
muito com minha vó.
No bairro em que minha vó morava, por ser um bairro de
casas geminadas, sem muros, era
comum aparecerem pedintes batendo na porta da casa dela. Quando
algum deles tocava a campainha, vovó, educadamente, pedia para aguardar um
minutinho. Ela corria pra cozinha e, rapidamente, preparava um prato de comida
bem farto. Colocava um pouco de tudo que havia sobre o fogão, enchia também um
copo de leite e voltava para entregar à pessoa que a estava aguardando. Jamais vi
minha vó despedir alguém de mãos vazias. Isso ficou marcado na minha memória. A maioria deles comia, agradecia e ia embora.
Porém, nem todos agiam dessa forma. Lembro que, para tristeza de minha vó, alguns
desses pedintes despejavam a comida no chão e saíam murmurando. Parecia ser
alguma forma de protesto por não haverem recebido dinheiro e sim, comida.
Recentemente lembrei-me dessas cenas na casa da minha
vó e pude perceber que as pessoas seguem agindo dessa maneira quando recebem “o
pão”. Algumas são gratas e outras não. Algumas recebem com alegria o que você reparte, outras não. Algumas comem o alimento repartido, outras o descartam. As reações das pessoas são bem distintas e me levaram a parar um pouco para refletir. A sensação de aplacar a fome de alguém é extremamente prazerosa, contudo, nem sempre é possível.
Atribuindo a palavras e ensinamentos o significado de “pão”, percebi que nos nossos relacionamentos, tal qual acontece com um prato de comida, as pessoas recebem de nós o “pão” de bom grado e outras, diferentemente, desprezam o alimento oferecido. Observei esse tipo de comportamento com pessoas em grupos de wapp, pessoas mais próximas e pessoas com as quais tenho pouco contato. Recordei-me, então, da passagem bíblica em que Jesus, numa alusão escatológica, nos adverte: ”…porque tive fome e destes-me de comer, tive sede e destes-me de beber...”
Atribuindo a palavras e ensinamentos o significado de “pão”, percebi que nos nossos relacionamentos, tal qual acontece com um prato de comida, as pessoas recebem de nós o “pão” de bom grado e outras, diferentemente, desprezam o alimento oferecido. Observei esse tipo de comportamento com pessoas em grupos de wapp, pessoas mais próximas e pessoas com as quais tenho pouco contato. Recordei-me, então, da passagem bíblica em que Jesus, numa alusão escatológica, nos adverte: ”…porque tive fome e destes-me de comer, tive sede e destes-me de beber...”
Sei que Jesus estava explicando sobre algo futuro,
mas, na hora em que reli esse texto, uma compreensão clara do que eu
estava sentindo em meu coração sobre as reações das pessoas, invadiu minha mente e pude perceber que existe uma pré-condição ao ato de dar o “pão” quando se trata de repartir palavras ou ensinamentos. Parte do desconforto que
eu estava sentindo extrapolava a emoção da não-reciprocidade e associava-se a, pelo menos, três fatores que se repetem e merecem nossa atenção.
O primeiro deles repousa no fato de dar “pão” a quem
não está com fome. Ou seja, ao querer repartir o “pão” com alguém que está suficientemente saciado, significa desperdiçar alimento. Talvez em
outro momento esse “pão” até seja bem-vindo, mas, não naquele momento em que a
pessoa não está com fome.
O segundo fator assemelha-se ao que aquele pedinte fez
na frente da casa da minha vó: jogou no chão o prato de comida que recebeu. Ou seja, dar
“pão” a alguém que está com fome, porém, não uma fome do tipo de alimento que tenho para oferecer. A fome dessa pessoa poderia ser de tudo, menos de
palavras ou ensinamentos, por exemplo.
O terceiro fator não possui uma correlação direta com essa passagem bíblica. Refere-se a ação de dar "pão" a alguém que até pode estar faminto, porém, não me pediu.
Estamos cercadas por pessoas famintas de todo tipo de
“pão” e é nosso dever reparti-lo. Contudo, quando se trata de repartir palavras
ou ensinamentos, sugiro observarmos esses três fatores: (1) dar pão a quem tem fome; (2) o pão que a pessoa necessita, nem
sempre é o que você possui; (3) saber com quem repartir o pão e o melhor
momento de fazê-lo.
Por mais altruísta que possa parecer, o ato de
repartir o pão requer alguns cuidados de nossa parte. Quer seja o pão material
quer seja o “pão” representado por palavras e ensinamentos, devemos reparti-lo
com a mente e o coração envolvidos no processo.
Por falar nisso... você tem fome de quê?
Dica de Leitura
Título:
Foco
Autor:
Daniel Goleman & Cássia Zanon
Editora:
Objetiva
Sinopse:
Você está prestando atenção? Ou já se distraiu checando seus e-mails,
mensagens, Facebook, Twitter? Resistiu ao impulso de deixar sua mente divagar?
Se tiver resistido, muito bem: normalmente uma pessoa fica distraída por mais
de 40% do tempo quando lê um texto. Mas quais são os benefícios de ficar focado
por um longo período? Uma palavra: sucesso. Segundo Daniel Goleman, autor do
best-seller Inteligência emocional, a atenção funciona de forma muito parecida
com um músculo: se não o utilizamos, fica atrofiado; se o exercitamos, se
desenvolve e se fortalece. Numa era de distrações intermináveis, Goleman
argumenta que precisamos aprender a aprimorar nosso foco se quisermos prosperar
no mundo complexo em que vivemos. Aqueles que alcançam rendimento máximo (seja
nos estudos, nos negócios, nos esportes ou nas artes) são precisamente os que
prestam atenção no que é mais importante para seu desempenho. Foco é uma ferramenta
essencial, é o que diferencia um especialista de um amador, um profissional de
sucesso do funcionário mediano. Foco traz um olhar inovador sobre o segredo
para o alto desempenho e mostra como a atenção tem um papel fundamental para o
sucesso.
quarta-feira, 13 de maio de 2020
Vulnerabilidades e o mundo virtual (parte 2)
Desculpem o tamanho dos Posts! Ficaram um tanto longos, me perdoem. Na verdade, acho que me empolguei
com o assunto e precisava dessa catarse com as palavras. Escrever me acalma, me
traz mais leveza. Penso escrevendo, sabe como? O isolamento social também tem contribuído
para eu gastar mais tempo em companhia do teclado.
Gostaria de repartir com vocês um pouquinho da minha experiência nos grupos de
wapp de mulheres em tempo de quarentena.
Dentre os cinco grupos de mulheres dos quais faço parte, escolhi dois deles
para compartilhar com vocês, repartindo um pouco da minha relação com o
universo virtual feminino. No Post anterior, apresentei algumas
vulnerabilidades que surgiram ao participar de um grupo recém-formado, no qual
me sinto ainda caloura na arte de comunicar-me de forma eficaz. Hoje, apresentarei a vocês outras vulnerabilidades, mais voltadas para a questão da
interação em grupos grandes de wapp.
Ano passado, fui convidada por uma senhora cristã a participar
de uma reunião de oração em sua residência. Demorei a aceitar o
convite, me sentindo um pouco tímida por não conhecer ninguém. Em Brasília,
onde morei minha vida toda, frequentava muitas reuniões de oração com mulheres
e estava sentindo falta disso aqui em São Paulo. Um belo dia, lá fui eu: bolo
de banana numa mão e bíblia na outra. Como era num apartamento, eu esperava
encontrar doze a quinze mulheres, no máximo. Porém, chegando lá, deparei-me com
um grupo de, mais ou menos, umas trinta mulheres, de todas as idades, belas, educadas, reunidas para buscar a Deus em plena segunda-feira. Fiquei surpresa! Fui super bem
acolhida pela anfitriã lindíssima e educadíssima. A pastora trouxe a palavra e
o momento de louvor ficou a cargo dos clipes no youtube. Seguiu-se o momento de oração e depois o lanchinho. Tudo
maravilhoso! Conversei com algumas mulheres e tentei enturmar-me na devida
proporção de um primeiro encontro. Fui muito bem acolhida e segui participando pro um tempo.
Ao final da reunião, a anfitriã me perguntou se eu
queria fazer parte do grupo delas de oração no wapp. Logo respondi que sim,
tendo uma referência prévia do que é participar de grupos dessa natureza.
Porém, estranhei a reação dela com minha pronta resposta afirmativa. Ela,
educadamente, me perguntou novamente: você tem certeza que deseja participar? E
emendou dizendo e sorrindo: é que nosso grupo começa a postar mensagens bem
cedinho e eu recomendo deixar no silencioso o alarme de recebimento de
mensagens no seu celular, caso queira mesmo participar. Entendi a explicação dela
e reafirmei minha aquiescência ao convite.
Voltei pra casa e no dia seguinte, sem nem estar lembrada
da minha adesão ao novo grupo do wapp, tomei café, fiz minha devocional e
quando fui olhar o wapp no meu celular, apareceu o símbolo desse novo grupo. As
sete horas da manhã já havia uma quantidade significativa de mensagens
postadas. Lembrei-me, imediatamente, da
cautela que a anfitriã teve ao me convidar para fazer parte desse grupo de
wapp. Procurando entender o volume de mensagens recebidas naquele horário do
dia, corri para ver quantas mulheres faziam parte do grupo, afinal, nunca havia
sido surpreendida com tantas mensagens de uma só vez, antes das oito da manhã. Para meu espanto, o grupo
tinha naquela data, 127 participantes. Era, sem dúvida, o maior grupo de oração
no wapp do qual já havia participado. Hoje somos 247 mulheres. Uma bênção!
Minha primeira reação foi agradecer a Deus por tantas
mulheres buscando orar e se fortalecer na Palavra virtualmente, mas, quase que
concomitantemente a essa reação, tive certa curiosidade quanto ao volume diário de mensagens, vídeos, pedidos de oração
e leituras que seriam postadas ali. Pensei: saio ou fico nesse grupo? Vai sobrecarregar
meu celular. É muita gente! Embora conhecendo mais de perto, apenas 3 mulheres até aquele momento, resolvi permanecer no grupo. Daí começaram a surgir minhas vulnerabilidades pessoais alusivas ao contexto de macrogrupos, algo novo para mim.
Inicialmente, tentei lidar com minha participação
nesse grupo grande da mesma forma que fazia com os demais grupos de oração menores de wapp, procurando interagir com os participantes da
melhor forma possível, a saber: comentando as mensagens postadas, ouvindo todos os
clipes, todos os áudios de oração, orando junto com a host do grupo, abrindo todos os links, etc. Porém, ao final da primeira semana participando desse grupo, sentindo certa sobrecarga
de informações postadas, cheguei à conclusão de que teria que criar uma nova
forma de “participar” desse grupo que não tomasse muito o meu tempo, mas que me mantivesse envolvida na intercessão e edificação ali propostas. Não encontrei logo de cara a forma ideal, muito pelo contrário. Adotei formas variadas de interação. Por exemplo, quando optei por participar desse grupo ao estilo mulher invisível, eu escolhi não postar nada, não comentar nada, não enviar emojis e jamais me manifestar. Essa clandestinidade virtual em um grupo de oração no wapp é, por vezes, um exercício de autocontrole para mim, pois, embora eu seja uma pessoa que curte esse tipo de coisa, não posso extrapolar meu tempo diário para esse fim. Futuramente, talvez isso mude e a interação seja maior.
Penso que esse estilo que adotei talvez seja o da maioria das mulheres por ali. Um estilo meio unilateral de se relacionar. Confesso que não parei pra analisar isso numericamente falando. Funciona mais ou menos assim: receber as mensagens, ler algumas delas, ouvir o louvor do dia e
incluir alguns pedidos de oração postados no grupo em meu momento de oração diário. Porém, algumas vezes,
sinto-me como um parasita que
suga o alimento de seu hospedeiro, ao ser edificada por tudo que
ali é postado, sem nunca retribuir. Você já teve essa sensação em algum grupo grande de wapp de oração?
A forma de interceder pelos pedidos postados, no contexto de um grupo grande de wapp, foi também um processo pessoal de aprendizado repleto de vulnerabilidades. Eu não tinha o hábito de orar por pessoas que não conhecia. Sempre alguém me situava sobre o pedido de oração, me reportava de quem se tratava aquele pedido ou me mostrava a foto da pessoa, por exemplo. Isso me deixava mais próxima daquela pessoa, de alguma forma, na hora de interceder. Mas, nesse grupo grande isso não estava acontecendo, pois o volume era grande. Passei a ler os pedidos postados e a interceder por alguns deles, de uma forma pouco habitual. Confesso que essa impessoalidade ao interceder, me incomodava bastante.
Porém, com o passar do tempo, embora não conhecendo pessoalmente quem havia postado, comecei a focar no teor dos pedidos postados. Esse foi meu pulo do gato! Comecei a sentir uma forte afinidade com aquelas mulheres que postavam seus motivos de oração com tanta espontaneidade e fui percebendo que, embora não fossem pessoas do meu círculo de amizade, da minha família ou pessoas próximas, suas angústias e ansiedades diziam respeito a qualquer mulher, inclusive a mim. Eram dores, ansiedades, alegrias, agradecimentos, crises, conflitos e muitos outros motivos de oração que todas nós temos ou já tivemos um dia. Fui então aprendendo a colocar meu pé no sapato de cada uma delas, de uma forma genuína e sincera. Ao orar por essas mulheres que só conheço o número de seu celular, pude experimentar uma conexão diferente daquela que eu conhecia anteriormente. Minha conexão com elas passou a ser feita nos joelhos dobrados, aos pés do mesmo Pai. Foi incrível! Tenho um amor por elas e consigo, muitas vezes, sentir suas inquietações como se fossem minhas.
Sigo quebrando paradigmas e entendo que a forma pessoal ou impessoal de se relacionar nos grupos de wapp, sejam eles grupos de oração ou outros grupos, será sempre uma questão de escolha da nossa parte. Todavia, não dá para ser displicente nessa nova
forma de nos relacionarmos, de intercedermos e de nos edificarmos mutuamente, sobretudo, em um momento como o que estamos
vivendo, você não acha?
Ao compartilhar com vocês algumas das vulnerabilidades com as quais me deparo, bem como as formas que encontrei para aproveitar as oportunidades disponíveis no universo virtual, espero ter ajudado, de alguma forma. Meu desejo é que cada uma de vocês possa buscar seu próprio modelo de conexão e interação com outras mulheres, guardando sempre seus corações.
Finalmente irmãos, tudo que é verdadeiro, tudo que é
respeitável, tudo que é justo, tudo que é puro, tudo que é amável, tudo que é
de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que
ocupe o vosso pensamento. (Filipenses 4:8)
(Texto de 01/05/2020)
Dica de Leitura
Título:
O poder secreto da oração e do jejum
Autor:
Mahesh Chavda
Editora:
Vida
Sinopse:
Deus tem uma maneira de transformar derrotas em vitórias e fortalezas
demoníacas em caminhos de amor e poder. Quando você enfrentar a derrota, O
poder secreto da oração e do jejum lhe dará poder para liberar o Espírito Santo
em seu interior! Seja problema físico, seja financeiro ou familiar, Mahesh
Chavda enfrentou vitoriosamente esses ataques e viu o poder de Deus ganhar cada
batalha. O estilo de vida de Mahesh Chavda é marcado pelo jejum e pela oração,
por isso inspira você a lutar o bom combate e Deus lhe dará a solução. Traga a
glória de Deus para sua vida, igreja, cidade e nação por meio do poder secreto
da oração e do jejum.
Assinar:
Postagens (Atom)






